Os bravos permanecem em pé: Revista Bravo volta em formato digital.

Após ser descontinuada em 2013, ex-título da Abril volta em voo solo

A revista Bravo, descontinuada há seis anos pela editora Abril, volta em formato digital (bravo.vc) e com edições impressas especiais. A publicação, que foi uma das mais importantes na cobertura jornalística de arte e cultura, retoma suas atividades com novos portal e formato de matérias.
Lançado em 1997 pela Editora D’Ávila, o título circulou nas bancas por 16 anos. Em 2003, foi comprada pela Abril, que interrompeu sua circulação dez anos depois. A publicação será relançada por Helena
Bagnoli, que trabalhou por mais de 15 anos no Grupo Abril e presidiu a MTV entre 2010 e 2013, e Guilherme Werneck, que teve passagens por revistas segmentadas, Abril, dirigiu a revista Trip e atuou como diretor digital na MTV.
A ideia de retomar o título veio no final de 2015, um ano após a saída de ambos da editora, com a ideia de criar uma plataforma cultural na internet. O Grupo Abril concedeu o direito de usar o nome da revista. Segundo os editores, a nova fase deve combinar diferentes formatos e linguagens, com digital, impresso e promoções.
Para o desenvolvimento do projeto Helena Bagnoli conta que eles tomaram emprestada a lógica das séries de TV. “Os episódios serão lançados a cada 15 dias, o que os une é um tema conceitual, que para nós é o que define uma temporada”, explica Helena. Cada temporada terá a duração de três meses e trará seis episódios sobre um ou mais temas. A primeira aborda o tema Incertude e o episódio inaugural, já disponível online, fala sobre o Inhotim, um dos maiores centros de arte contemporânea do mundo, que comemora dez anos em 2016. O segundo será sobre literatura fantástica.
A dupla pretende investir no Facebook como primeira plataforma de divulgação e distribuição de conteúdo. Reportagens, críticas e agenda cultural serão publicadas diretamente no perfil da revista na rede social, que também terá curadoria de conteúdo relacionado publicado por outros, como blogs e grandes jornais. Helena diz que edições especiais poderão circular como releitura do conteúdo presente na plataforma digital. “Uma edição impressa pode trazer o melhor de uma temporada e será uma edição para colecionador, mais próxima de livros de arte do que de revistas de banca”, afirma.

Como o conteúdo pode ser acessado gratuitamente, a dupla pretende realizar parcerias com marcas para viabilizar o projeto. “As marcas que estiverem conosco, mais do que colocar um anúncio, serão parceiras na construção dessa narrativa e poderão engajar seus públicos com o nosso conteúdo em diferentes formatos, combinados caso a caso”, conta. O primeiro exemplo dessa parceria é a entrada do
Spotify no episódio sobre Inhotim.
Para o futuro, a expectativa é conseguir ampliar o espectro da marca da revista, trazendo de volta o Prêmio Bravo! de Cultura, criar workshops, projetos de inserções culturais e shows. “Cultura, apesar
de ser um dos maiores ativos de um país, nunca foi muito valorizada por aqui. Sempre
houve, porém, aqueles que acreditam”, afirma Helena.
Esta semana, a Editora Abril anunciou que está negociando o retorno à empresa de títulos vendidos nos últimos dois anos para a Editora Caras. No passado, duas as negociações anteriores que repassaram à Editora Caras 18 títulos da Abril.

Por Mariana Stocco
Via @meioemensagem

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